
Domingo, Novembro 22, 2009
O TESTAMENTO DO DR. MABUSE / DAS TESTAMENT DES DR. MABUSE
FRITZ LANG – (ALE – 1933) – (122 min - P/B)
RUDOLF KLEIN-ROGGE, OSKAR BEREGI, OTTO WERNICKE, WERA LIESSEN, GUSTAV DIESEL.
A personagem do Dr. Mabuse será talvez a mais “amada” por Fritz Lang, de todas as que surgiram no seu cinema apesar de ela ser sinónimo do mal, sempre em busca da destruição do mundo em que vive, para melhor estabelecer a sua ordem criminosa. Mabuse irá atravessar a obra de Fritz Lang ao longo das diversas décadas do Cinema, recorde-se que ele surge pela primeira vez ainda no período do Mudo em 1922 na película intitulada precisamente “O Doutor Mabuse” / “Doktor Mabuse der Spieler”, na qual o cérebro do mundo do crime pretende estabelecer o seu império criminoso, encetando uma luta de vida e morte com o Procurador Wrenck que o persegue, terminando este duelo com a prisão do Dr. Mabuse que, “aparentemente”, enlouquece e fica internado num asilo de loucos.
Em 1933, já no período do sonoro, Fritz Lang irá retomar o personagem na película “O Testamento do Dr. Mabuse”, onde iremos encontrar o perigoso criminoso internado no asilo de loucos, vigiado pelo professor Baum (Oskar Beregi), que vai acompanhando o seu estado de saúde ou loucura se preferirem.
Mas aproveitamos para abrir um parêntesis, para referir que o actor que interpreta o Dr. Mabuse (Rudolf Klein-Rogge) retoma aqui a personagem a que deu vida no tempo do cinema mudo, sendo um dos actores que fez essa difícil transição. Por outro lado, o célebre comissário Lohmann (Otto Wernicke), também é "um nosso conhecido", pois foi o responsável policial que perseguiu Hans Beckert (Peter Lorre), o assassino de crianças, na película anterior do cineasta, o célebre “M-Matou”, uma das obras-primas do cinema.
Embora preso no asilo, percebe-se que o Dr. Mabuse prepara o seu regresso ao mundo do crime, através dos seus poderes psíquicos, ao mesmo tempo que vai escrevendo o seu testamento que será cumprido à risca pelos seus cúmplices, restabelecendo com o seu poder mental um novo mundo do crime, cuja única finalidade é a destruição da sociedade e o controlo das massas, perigosamente manietadas para cumprirem os seus desejos criminosos e de poder.
Ao conhecermos a organização terrorista, percebemos que os assaltos são comandados do asilo e no meio dos operacionais existe um homem chamado Kent (Gustav Diesel) que irá travar uma outra luta com a sua consciência ao conhecer a bela Lilli (Wera Liessen) e será este mesmo homem que irá denunciar a estratégia do Dr. Mabuse para se apoderar do poder, encontrando neste duelo como parceiro o destemido comissário Lohmann. Mas Mabuse, ao ver descobertos os seus intentos, morre fisicamente, passando os seus poderes e controlo para o corpo do director do asilo prisão, Professor Baum, manobrando-o a seu belo prazer e roubando-lhe a identidade, no sentido de estabelecer a sua nova ordem.
Se nos lembrarmos que este filme foi realizado em 1933, dois meses depois de Hitler chegar ao poder, percebemos logo quem Fritz Lang pretendia retratar e, como não podia deixar de ser, do outro lado, todos perceberam o recado e de imediato o filme foi proibido na Alemanha, só voltando a ser exibido em 1951.
Mas isso não impediu o Dr. Goebbels de convidar Fritz Lang para dirigir esse império do cinema chamado UFA e aqui surge a famosa história contada por Fritz Lang e que como uma lenda se tornou uma realidade. Lang conta nas suas memórias que, depois de ter recusado a chefia do cinema germânico, de imediato se meteu num comboio, nesse mesmo dia, partindo para França, deixando a mulher Thea von Harbou (que nunca escondeu as suas simpatias pelo regime) para trás. Como sabemos Fritz Lang esteve em França um ano e depois seguiu para a América. Porém a verdade dos factos parece ser um pouco diferente porque Lang fez diversas viagens entre a Alemanha e a França, após o convite de Goebbels, mas como diria John Ford não há nada como imprimir a lenda, quando ela é mais bela que a realidade. Seja como for, na verdade este “Testamento do Dr. Mabuse” não deixa margem de dúvidas sobre os destinatários do filme.
E curiosamente a última película da monumental obra de Fritz Lang, realizada em 1960, “O Diabólico Dr. Mabuse” / “Die Tausend Augen dês Dr. Mabuse”, retoma esta personagem do mal, dando-lhe vida desta vez num hotel onde ele, uma vez mais, através dos seus poderes psíquicos usa uma rede de televisão para controlar os hóspedes no intuito de reerguer das cinzas o seu império do mal.
“O Testamento do Dr. Mabuse” passados todos estes anos, possui uma juventude que nos deixa a todos estupefactos, porque como vemos no início do filme, os seus homens preparam-se para destabilizar o mercado monetário, pondo a circular dinheiro falso, no intuito de criar o caos nos mercados financeiros. Tendo em conta a recessão que se vive hoje no mundo, fruto da crise do petróleo, se Fritz Lang fosse vivo, não iria resistir a fazer um quarto filme sobre esse génio do mal chamado Dr. Mabuse, o ser de mil rostos, que só aspira ao poder. Descobrir este filme à luz da história é, na verdade, uma experiência que nos dá muito em que pensar.
Rui Luís Lima (****)
Paula Nunes Lima (***)
FRITZ LANG – (ALE – 1933) – (122 min - P/B)
RUDOLF KLEIN-ROGGE, OSKAR BEREGI, OTTO WERNICKE, WERA LIESSEN, GUSTAV DIESEL.
A personagem do Dr. Mabuse será talvez a mais “amada” por Fritz Lang, de todas as que surgiram no seu cinema apesar de ela ser sinónimo do mal, sempre em busca da destruição do mundo em que vive, para melhor estabelecer a sua ordem criminosa. Mabuse irá atravessar a obra de Fritz Lang ao longo das diversas décadas do Cinema, recorde-se que ele surge pela primeira vez ainda no período do Mudo em 1922 na película intitulada precisamente “O Doutor Mabuse” / “Doktor Mabuse der Spieler”, na qual o cérebro do mundo do crime pretende estabelecer o seu império criminoso, encetando uma luta de vida e morte com o Procurador Wrenck que o persegue, terminando este duelo com a prisão do Dr. Mabuse que, “aparentemente”, enlouquece e fica internado num asilo de loucos.Em 1933, já no período do sonoro, Fritz Lang irá retomar o personagem na película “O Testamento do Dr. Mabuse”, onde iremos encontrar o perigoso criminoso internado no asilo de loucos, vigiado pelo professor Baum (Oskar Beregi), que vai acompanhando o seu estado de saúde ou loucura se preferirem.
Mas aproveitamos para abrir um parêntesis, para referir que o actor que interpreta o Dr. Mabuse (Rudolf Klein-Rogge) retoma aqui a personagem a que deu vida no tempo do cinema mudo, sendo um dos actores que fez essa difícil transição. Por outro lado, o célebre comissário Lohmann (Otto Wernicke), também é "um nosso conhecido", pois foi o responsável policial que perseguiu Hans Beckert (Peter Lorre), o assassino de crianças, na película anterior do cineasta, o célebre “M-Matou”, uma das obras-primas do cinema.Embora preso no asilo, percebe-se que o Dr. Mabuse prepara o seu regresso ao mundo do crime, através dos seus poderes psíquicos, ao mesmo tempo que vai escrevendo o seu testamento que será cumprido à risca pelos seus cúmplices, restabelecendo com o seu poder mental um novo mundo do crime, cuja única finalidade é a destruição da sociedade e o controlo das massas, perigosamente manietadas para cumprirem os seus desejos criminosos e de poder.
Ao conhecermos a organização terrorista, percebemos que os assaltos são comandados do asilo e no meio dos operacionais existe um homem chamado Kent (Gustav Diesel) que irá travar uma outra luta com a sua consciência ao conhecer a bela Lilli (Wera Liessen) e será este mesmo homem que irá denunciar a estratégia do Dr. Mabuse para se apoderar do poder, encontrando neste duelo como parceiro o destemido comissário Lohmann. Mas Mabuse, ao ver descobertos os seus intentos, morre fisicamente, passando os seus poderes e controlo para o corpo do director do asilo prisão, Professor Baum, manobrando-o a seu belo prazer e roubando-lhe a identidade, no sentido de estabelecer a sua nova ordem.
Se nos lembrarmos que este filme foi realizado em 1933, dois meses depois de Hitler chegar ao poder, percebemos logo quem Fritz Lang pretendia retratar e, como não podia deixar de ser, do outro lado, todos perceberam o recado e de imediato o filme foi proibido na Alemanha, só voltando a ser exibido em 1951.Mas isso não impediu o Dr. Goebbels de convidar Fritz Lang para dirigir esse império do cinema chamado UFA e aqui surge a famosa história contada por Fritz Lang e que como uma lenda se tornou uma realidade. Lang conta nas suas memórias que, depois de ter recusado a chefia do cinema germânico, de imediato se meteu num comboio, nesse mesmo dia, partindo para França, deixando a mulher Thea von Harbou (que nunca escondeu as suas simpatias pelo regime) para trás. Como sabemos Fritz Lang esteve em França um ano e depois seguiu para a América. Porém a verdade dos factos parece ser um pouco diferente porque Lang fez diversas viagens entre a Alemanha e a França, após o convite de Goebbels, mas como diria John Ford não há nada como imprimir a lenda, quando ela é mais bela que a realidade. Seja como for, na verdade este “Testamento do Dr. Mabuse” não deixa margem de dúvidas sobre os destinatários do filme.
E curiosamente a última película da monumental obra de Fritz Lang, realizada em 1960, “O Diabólico Dr. Mabuse” / “Die Tausend Augen dês Dr. Mabuse”, retoma esta personagem do mal, dando-lhe vida desta vez num hotel onde ele, uma vez mais, através dos seus poderes psíquicos usa uma rede de televisão para controlar os hóspedes no intuito de reerguer das cinzas o seu império do mal.“O Testamento do Dr. Mabuse” passados todos estes anos, possui uma juventude que nos deixa a todos estupefactos, porque como vemos no início do filme, os seus homens preparam-se para destabilizar o mercado monetário, pondo a circular dinheiro falso, no intuito de criar o caos nos mercados financeiros. Tendo em conta a recessão que se vive hoje no mundo, fruto da crise do petróleo, se Fritz Lang fosse vivo, não iria resistir a fazer um quarto filme sobre esse génio do mal chamado Dr. Mabuse, o ser de mil rostos, que só aspira ao poder. Descobrir este filme à luz da história é, na verdade, uma experiência que nos dá muito em que pensar.
Rui Luís Lima (****)
Paula Nunes Lima (***)
Domingo, Novembro 15, 2009
THE YEAR OF THE HORSE
JIM JARMUSCH – (EUA – 1997) – (107 min.-Cor/P-B)
NEIL YOUNG, FRANCO “PANCHO” SAMPEDRO, BILLY TALBOT, RALPH MOLINA, JIM JARMUSCH.
Longe vão os tempos em que, após a rodagem de “O Estado das Coisas”, Wim Wenders ofereceu a película que lhe restava a Jim Jarmusch e este partiu com ela para rodar essa obra intitulada “Strange Than Paradise” (a primeira versão). Muitos de nós ainda se recordam do soco no estômago recebido aquando da estreia deste filme no cinema Quarteto, todo ele rodado com planos fixos, a preto e branco e com um John Lurie que, para além de ser o principal protagonista, surgia também a assinar a banda sonora, uma obra para quarteto de cordas, música essa que ao nascer no écran este ficava quase “branco”. Recorde-se ainda, nestas “coisas” da memória, que John Lurie surgia também nessa obra charneira do cinema independente dos anos oitenta, realizada por Amos Poe, o fabuloso “Subways Riders” / “Viajantes na Noite”, que teve grande sucesso na época.
O trajecto de Jarmusch é conhecido de todos, porque “Mistery Train”, “Night on Earth”, “Ghost Dog: The Way of Samurai”, “Broken Flowers” e “Dead Man” tiveram distribuição comercial, ao mesmo tempo que as curtas-metragens rodadas ao longo dos anos e intituladas “Coffee and Cigarrettes”, mais tarde agrupadas num único filme também andaram pelos nossos écrans. Mas será “Dead Man”, com um Johnny Depp em excelente forma, que nos interessa aqui como ponte para este “The Year of The Horse”, porque será através da sua fabulosa banda sonora assinada por Neil Young que irá nascer este “The Year of the Horse”, filme concerto sobre Neil Young e os Crazy Horse, que andam na estrada já lá vão quase quarenta anos, mantendo a mesma atitude e energia em palco porque, para eles, o rock é sinónimo de vida porque “Rust Never Sleeps”.
Mas quem é Neil Young? A resposta todos sabemos (ou quase todos). Ele nasceu para a música nessa banda de country rock intitulada Buffalo Springfield, tendo-se juntado depois três grandes nomes criando dessa forma os mais que famosos “Crosby, Stills, Nash and Young”, um dos maiores super-grupos da história do rock, basta escutar álbuns como “Dejá Vù” ou “Four Way Streets” e está tudo dito. Para trás já havia um trabalho assinado com os Crazy Horse e, ao longo dos anos, ele foi assinando álbuns atrás de álbuns (ou se preferirem cd) com os “Crazy Horse”, intercalando-os com outros seus trabalhos. Recorde-se a sua participação nesse filme concerto de todas as gerações chamado “Woodstock”, em que um dos responsáveis pela montagem foi precisamente Martin Scorsese, que mais tarde iria assinar em nome próprio essa obra única chamada “The Last Waltz”, lição perfeita de como deve ser realizado um filme-concerto e que serve de guia a todos os que pretendem entrar no género e Jim Jarmusch segue muito bem a lição dada pelo Mestre.
A carreira de Neil Young na música possui momentos inesquecíveis como: “After the Gold Rush”, “Harvest”, “Freedom” e “Rust Never Sleeps” / “Live Rust”, tendo este último dado origem também a um filme-concerto realizado pelo próprio Neil Young, a que Jarmusch não ficou alheio, apesar de tudo aquilo que os distingue. Aqueles que viram o filme de Neil Young, “Rust Never Sleeps”, rodado no palco do Cow Palace em 22 de Outubro de 1978, recordam-se de ver Neil a acordar no interior dessa enorme mala de viagem e a sair dela com a sua guitarra acústica, descendo as escadas que conduziam ao palco e iniciar a sua actuação a solo, quatro temas, debaixo do olhar daquelas criaturas com hábitos escuros e luzes vermelhas no lugar dos olhos, para no quinto tema atacar o piano, dando depois lugar aos Crazy Horse para demonstrar que o Rock-n-Roll nunca irá morrer e esse concerto é a prova provada (desculpem a redundância).
Jim Jarmusch parte assim com Neil Young e os Crazy Horse para nos oferecer a sua história, registando os momentos dos seus espectáculos realizados no ano de 1997, ano esse intitulado “The Year of the Horse”, em memória/homenagem ao produtor (o quinto elemento do grupo), David Briggs, falecido no ano anterior e que nas vésperas da sua morte lhes disse que o ano seguinte seria precisamente “The Year of the Horse” (ou seja, o anos dos "Horse"). No início da película, enquanto os créditos vão passando, surge esta indicação do cineasta para o espectador, “proudly filmed in super 8” e “made loud to be played loud” e de imediato entramos no universo deste grupo, em perfeito convívio com o cineasta.
Não só nos é oferecido o registo dos diversos concertos realizados tanto nos States como na Europa, como ao longo das entrevistas vamos conhecendo a história destes quatro sobreviventes do rock pela estrada fora e vamos percebendo como nem sempre os tempos foram fáceis, a heroína foi deixada para trás, felizmente, como refere Frank “Pancho” Sampedro, esse mesmo Frank que às tantas chama de artista intelectualóide a Jarmusch e este lhe responde ser um cineasta-argumentista.
Ao longo da película vamos encontrando registos das diversas épocas do grupo e inevitavelmente vamos viajando com eles pelo interior do rock, dos anos setenta aos oitenta, demonstrando Jarmusch um conhecimento perfeito do que pretende filmar/mostrar, ao mesmo tempo que deixa a sua marca de autor inconfundível, terminando a película com essa célebre canção “Like a Hurricane”, usando dois registos diferentes com vinte anos de permeio.
Curiosamente, dos três registos mais célebres ao vivo de Neil Young e os Crazy Horse, musicalmente falando e registados nos trabalhos “Live Rust”, “Weld” (1) e “The Year of The Horse”, este último será talvez o menos bom, na nossa opinião pessoal e estamos a falar só do disco. Por outro lado, será sempre curioso confrontar este filme de Jarmusch com o realizado pelo próprio Neil Young “Rust Never Sleeps” onde a encenação possui um elemento preponderante no interior de um concerto rock (na época foi exibido no cinema quarteto e está disponível em dvd) e nunca é demais referir que Martin Scorsese é decididamente o pai deste género com o grupo The Band.
Só para terminar esta viagem de Neil Young pelo cinema, nunca é demais referir a sua participação como actor no maravilhoso filme de Alan Rudolph “Love at Large”, numa daquelas histórias de amor e duplas identidades que tão bem retratou o cineasta canadiano, que possui a mesma nacionalidade de Neil.
“The Year of te Horse” é um filme inesquecível para amantes de rock puro, seja qual for a idade e isso é bem patente nos espectadores dos concertos e Jim Jarmusch consegue deixar-nos a sua marca na forma como monta o filme e na matéria usada. “The Year of the Horse” surge assim como a homenagem de Jim Jarmusch a Neil Young e os Crazy Horse porque como diz a canção rock and roll can never die!!!
(1) – “Weld” possui uma versão fabulosa de “Blowin’ In the Wind” de Bob Dylan.
NEIL YOUNG, FRANCO “PANCHO” SAMPEDRO, BILLY TALBOT, RALPH MOLINA, JIM JARMUSCH.
Longe vão os tempos em que, após a rodagem de “O Estado das Coisas”, Wim Wenders ofereceu a película que lhe restava a Jim Jarmusch e este partiu com ela para rodar essa obra intitulada “Strange Than Paradise” (a primeira versão). Muitos de nós ainda se recordam do soco no estômago recebido aquando da estreia deste filme no cinema Quarteto, todo ele rodado com planos fixos, a preto e branco e com um John Lurie que, para além de ser o principal protagonista, surgia também a assinar a banda sonora, uma obra para quarteto de cordas, música essa que ao nascer no écran este ficava quase “branco”. Recorde-se ainda, nestas “coisas” da memória, que John Lurie surgia também nessa obra charneira do cinema independente dos anos oitenta, realizada por Amos Poe, o fabuloso “Subways Riders” / “Viajantes na Noite”, que teve grande sucesso na época.
O trajecto de Jarmusch é conhecido de todos, porque “Mistery Train”, “Night on Earth”, “Ghost Dog: The Way of Samurai”, “Broken Flowers” e “Dead Man” tiveram distribuição comercial, ao mesmo tempo que as curtas-metragens rodadas ao longo dos anos e intituladas “Coffee and Cigarrettes”, mais tarde agrupadas num único filme também andaram pelos nossos écrans. Mas será “Dead Man”, com um Johnny Depp em excelente forma, que nos interessa aqui como ponte para este “The Year of The Horse”, porque será através da sua fabulosa banda sonora assinada por Neil Young que irá nascer este “The Year of the Horse”, filme concerto sobre Neil Young e os Crazy Horse, que andam na estrada já lá vão quase quarenta anos, mantendo a mesma atitude e energia em palco porque, para eles, o rock é sinónimo de vida porque “Rust Never Sleeps”.
Mas quem é Neil Young? A resposta todos sabemos (ou quase todos). Ele nasceu para a música nessa banda de country rock intitulada Buffalo Springfield, tendo-se juntado depois três grandes nomes criando dessa forma os mais que famosos “Crosby, Stills, Nash and Young”, um dos maiores super-grupos da história do rock, basta escutar álbuns como “Dejá Vù” ou “Four Way Streets” e está tudo dito. Para trás já havia um trabalho assinado com os Crazy Horse e, ao longo dos anos, ele foi assinando álbuns atrás de álbuns (ou se preferirem cd) com os “Crazy Horse”, intercalando-os com outros seus trabalhos. Recorde-se a sua participação nesse filme concerto de todas as gerações chamado “Woodstock”, em que um dos responsáveis pela montagem foi precisamente Martin Scorsese, que mais tarde iria assinar em nome próprio essa obra única chamada “The Last Waltz”, lição perfeita de como deve ser realizado um filme-concerto e que serve de guia a todos os que pretendem entrar no género e Jim Jarmusch segue muito bem a lição dada pelo Mestre.A carreira de Neil Young na música possui momentos inesquecíveis como: “After the Gold Rush”, “Harvest”, “Freedom” e “Rust Never Sleeps” / “Live Rust”, tendo este último dado origem também a um filme-concerto realizado pelo próprio Neil Young, a que Jarmusch não ficou alheio, apesar de tudo aquilo que os distingue. Aqueles que viram o filme de Neil Young, “Rust Never Sleeps”, rodado no palco do Cow Palace em 22 de Outubro de 1978, recordam-se de ver Neil a acordar no interior dessa enorme mala de viagem e a sair dela com a sua guitarra acústica, descendo as escadas que conduziam ao palco e iniciar a sua actuação a solo, quatro temas, debaixo do olhar daquelas criaturas com hábitos escuros e luzes vermelhas no lugar dos olhos, para no quinto tema atacar o piano, dando depois lugar aos Crazy Horse para demonstrar que o Rock-n-Roll nunca irá morrer e esse concerto é a prova provada (desculpem a redundância).
Jim Jarmusch parte assim com Neil Young e os Crazy Horse para nos oferecer a sua história, registando os momentos dos seus espectáculos realizados no ano de 1997, ano esse intitulado “The Year of the Horse”, em memória/homenagem ao produtor (o quinto elemento do grupo), David Briggs, falecido no ano anterior e que nas vésperas da sua morte lhes disse que o ano seguinte seria precisamente “The Year of the Horse” (ou seja, o anos dos "Horse"). No início da película, enquanto os créditos vão passando, surge esta indicação do cineasta para o espectador, “proudly filmed in super 8” e “made loud to be played loud” e de imediato entramos no universo deste grupo, em perfeito convívio com o cineasta.Não só nos é oferecido o registo dos diversos concertos realizados tanto nos States como na Europa, como ao longo das entrevistas vamos conhecendo a história destes quatro sobreviventes do rock pela estrada fora e vamos percebendo como nem sempre os tempos foram fáceis, a heroína foi deixada para trás, felizmente, como refere Frank “Pancho” Sampedro, esse mesmo Frank que às tantas chama de artista intelectualóide a Jarmusch e este lhe responde ser um cineasta-argumentista.
Ao longo da película vamos encontrando registos das diversas épocas do grupo e inevitavelmente vamos viajando com eles pelo interior do rock, dos anos setenta aos oitenta, demonstrando Jarmusch um conhecimento perfeito do que pretende filmar/mostrar, ao mesmo tempo que deixa a sua marca de autor inconfundível, terminando a película com essa célebre canção “Like a Hurricane”, usando dois registos diferentes com vinte anos de permeio.Curiosamente, dos três registos mais célebres ao vivo de Neil Young e os Crazy Horse, musicalmente falando e registados nos trabalhos “Live Rust”, “Weld” (1) e “The Year of The Horse”, este último será talvez o menos bom, na nossa opinião pessoal e estamos a falar só do disco. Por outro lado, será sempre curioso confrontar este filme de Jarmusch com o realizado pelo próprio Neil Young “Rust Never Sleeps” onde a encenação possui um elemento preponderante no interior de um concerto rock (na época foi exibido no cinema quarteto e está disponível em dvd) e nunca é demais referir que Martin Scorsese é decididamente o pai deste género com o grupo The Band.
Só para terminar esta viagem de Neil Young pelo cinema, nunca é demais referir a sua participação como actor no maravilhoso filme de Alan Rudolph “Love at Large”, numa daquelas histórias de amor e duplas identidades que tão bem retratou o cineasta canadiano, que possui a mesma nacionalidade de Neil.
“The Year of te Horse” é um filme inesquecível para amantes de rock puro, seja qual for a idade e isso é bem patente nos espectadores dos concertos e Jim Jarmusch consegue deixar-nos a sua marca na forma como monta o filme e na matéria usada. “The Year of the Horse” surge assim como a homenagem de Jim Jarmusch a Neil Young e os Crazy Horse porque como diz a canção rock and roll can never die!!!
(1) – “Weld” possui uma versão fabulosa de “Blowin’ In the Wind” de Bob Dylan.
Rui Luís Lima (***)
Paula Nunes Lima (***)
Quinta-feira, Novembro 12, 2009
A SOMBRA DO CAÇADOR / NIGHT OF THE HUNTER
CHARLES LAUGHTON – (EUA – 1955) – (97 min - P/B)
ROBERT MITCHUM, SHELLEY WINTERS, LILIAN GISH, BILLY CHAPLIN, SALLY JANE BRUCE.
Charles Laughton quando realizou este filme, já era bastante famoso como actor, sempre interpretando as suas personagens, “no fio da navalha”. O seu Henrique VIII ficou famoso. Mas ao passar para detrás da câmara, construiu uma obra que se distanciou de tudo o que fora feito até então.
Tendo a seu lado o grande director de fotografia Stanley Cortez, o cineasta vai-nos narrar a odisseia das duas crianças, perseguidas por um psicopata, optando por um expressionismo, que deixou o mundo positivamente boquiaberto, já que em “A Sombra do Caçador”, existe esse mundo dos sonhos próprio dos mais pequenos, em confronto com a violência que insiste em os engolir. A forma como Charles Laughton nos oferece a viagem no rio é profundamente poética, embora repleta de elementos góticos que perturbam os dois irmãos.
Harry Powell (um Robert Mitchum que compõe de forma extraordinária a personagem que interpreta) conhece na prisão um homem que está condenado à morte e a quem restam poucos dias de vida. O condenado acaba por lhe confessar que o fruto do roubo se encontra escondido na casa onde vivia com a mulher e os filhos. E Harry mal sai da prisão parte disfarçado de pregador, no intuito de se apoderar do produto roubado.
Possuidor de uma eloquência e um poder sedutor, rapidamente conquista o coração da viúva (Shelley Winters), mas nem tudo corre como tinha planeado e termina por a matar.
As duas crianças fogem num pequeno bote ao longo do rio, acabando por serem recolhidas por uma velha senhora (Lilian Gish), que dá guarida às crianças que vagueiam pelos campos, nessa terrível época da recessão. Mas como não poderia deixar de ser, o falso pregador, que tem tatuado nos dedos as palavras hate (ódio) e love (amor), acaba por descobrir o seu paradeiro, e quando tudo parecia perdido para elas, as autoridades impedem o pior, terminando Harry Powell por ser preso e condenado à morte.
Charles Laughton, cineasta de um filme e autor no verdadeiro sentido da palavra, referiu na época que “A Sombra do Caçador” era a sua homenagem a esse glorioso período mudo, onde se destacou esse criador da linguagem cinematográfica David Wark Griffith. Aliás não é por acaso que Laughton convidou Lilian Gish para interpretar a velha senhora, já que desta forma a sua homenagem também se estendia a essa grande actriz, um dia descoberta pelo autor de “Intolerância”.
Amado por poucos e desconhecido de muitos “Night of the Hunter” permanece uma obra-prima que merece ser descoberta.
PS - Quando vimos o filme, na época da sua reposição comercial, éramos os únicos espectadores na sala de cinema.
Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)
CHARLES LAUGHTON – (EUA – 1955) – (97 min - P/B)
ROBERT MITCHUM, SHELLEY WINTERS, LILIAN GISH, BILLY CHAPLIN, SALLY JANE BRUCE.
Charles Laughton quando realizou este filme, já era bastante famoso como actor, sempre interpretando as suas personagens, “no fio da navalha”. O seu Henrique VIII ficou famoso. Mas ao passar para detrás da câmara, construiu uma obra que se distanciou de tudo o que fora feito até então.Tendo a seu lado o grande director de fotografia Stanley Cortez, o cineasta vai-nos narrar a odisseia das duas crianças, perseguidas por um psicopata, optando por um expressionismo, que deixou o mundo positivamente boquiaberto, já que em “A Sombra do Caçador”, existe esse mundo dos sonhos próprio dos mais pequenos, em confronto com a violência que insiste em os engolir. A forma como Charles Laughton nos oferece a viagem no rio é profundamente poética, embora repleta de elementos góticos que perturbam os dois irmãos.
Harry Powell (um Robert Mitchum que compõe de forma extraordinária a personagem que interpreta) conhece na prisão um homem que está condenado à morte e a quem restam poucos dias de vida. O condenado acaba por lhe confessar que o fruto do roubo se encontra escondido na casa onde vivia com a mulher e os filhos. E Harry mal sai da prisão parte disfarçado de pregador, no intuito de se apoderar do produto roubado.
Possuidor de uma eloquência e um poder sedutor, rapidamente conquista o coração da viúva (Shelley Winters), mas nem tudo corre como tinha planeado e termina por a matar.As duas crianças fogem num pequeno bote ao longo do rio, acabando por serem recolhidas por uma velha senhora (Lilian Gish), que dá guarida às crianças que vagueiam pelos campos, nessa terrível época da recessão. Mas como não poderia deixar de ser, o falso pregador, que tem tatuado nos dedos as palavras hate (ódio) e love (amor), acaba por descobrir o seu paradeiro, e quando tudo parecia perdido para elas, as autoridades impedem o pior, terminando Harry Powell por ser preso e condenado à morte.
Charles Laughton, cineasta de um filme e autor no verdadeiro sentido da palavra, referiu na época que “A Sombra do Caçador” era a sua homenagem a esse glorioso período mudo, onde se destacou esse criador da linguagem cinematográfica David Wark Griffith. Aliás não é por acaso que Laughton convidou Lilian Gish para interpretar a velha senhora, já que desta forma a sua homenagem também se estendia a essa grande actriz, um dia descoberta pelo autor de “Intolerância”.
Amado por poucos e desconhecido de muitos “Night of the Hunter” permanece uma obra-prima que merece ser descoberta.
PS - Quando vimos o filme, na época da sua reposição comercial, éramos os únicos espectadores na sala de cinema.
Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)
Domingo, Novembro 08, 2009
MULHERES / THE WOMEN
DIANE ENGLISH – (EUA – 2008) – (114 min/Cor)
ANNETTE BENING, MEG RYAN, EVA MENDES, DEBRA MESSING, CANDICE BERGEN, CLORIS LEACHMAN, BETTE MIDLER, CARRIE FISHER.
Em 1939 o famoso George Cukor, conhecido como o cineasta das mulheres, decidiu levar ao grande écran a famosa peça de Claire Booth Luce, “The Women”, que na época fez furor na Broadway, com um elenco inteiramente feminino, mas onde os homens estavam bem presentes, através das conversas tidas pelas respectivas Ladys. E quem viu o filme recorda-se bem dos fabulosos diálogos travados entre elas, de uma sofisticação maravilhosa e onde surgiam nomes como Norma Shearer, a inocente esposa, Joan Crawford, Rossalind Russsel, Joan Fontaine e Paulette Godard, nos principais papéis.
Muitos anos volvidos a realizadora Diane English, oriunda da televisão, decidiu levar ao écran esta obra-prima de Cukor, optando também ela por um elenco exclusivamente feminino, onde Meg Ryan (a antiga namorada de Hollywood) ocupa o lugar de Norma Shearer e onde se destaca Annette Bening a interpretar a personagem Sylvia Fowler, editora de uma importante revista feminina, mas a escolha de Eva Mendes para ocupar o lugar de Joan Crawford redunda num enorme fiasco, basta comparar a sua interpretação com a de Joan Crawford e fica tudo dito, o encontro entre a esposa fiel e a amante demonstram bem isso mesmo.
Por outro lado o filme de Diane English não possui a sofisticação outrora conseguida por Cukor, já que ao ser transposta a peça para os dias de hoje, faltou um argumento à altura, embora ao longo da película haja excelentes réplicas e diálogos, especialmente quando temos frente a frente Meg Ryan e Annette Bening, esta última a não deixar os seus créditos por mãos alheias, revelando-se a principal estrela do filme.
Já a veterana Cloris Leachman compõe uma personagem fascinante, nessa governanta que não se quer comprometer perante a vida conturbada da sua patroa, desejando apenas preservar o seu emprego.
Esta nova versão de “Mulheres” surge assim no firmamento cinematográfico um pouco à boleia de séries como “O Sexo e a Cidade” / “Sex and the City”, que obtiveram no mundo inteiro uma legião de fans verdadeiramente espantosa, como todos sabemos. Mas a forma como ela nos vai contando a história do adultério, descoberto por mero acaso e os respectivos mexericos peca, muitas vezes, por falta de continuidade, surgindo um pouco como uma manta de retalhos.
Foi pena os produtores não terem apostado num elenco onde fosse possível encontrar esses nomes femininos incontornáveis da sétima arte americana, a oferecerem-nos a sua genialidade interpretativa. Este projecto nas mãos de um Robert Altman seria, na verdade, uma obra perfeitamente delirante e sofisticada, mas infelizmente ele já não se encontra entre nós.
”The Women” surge assim como mais uma comédia agradável, que nos oferece um retrato feminino dessa metrópole chamada Nova Iorque, onde tudo vale para se vencer na vida.
Rui Luís Lima (**)
Paula Nunes Lima (***)
DIANE ENGLISH – (EUA – 2008) – (114 min/Cor)
ANNETTE BENING, MEG RYAN, EVA MENDES, DEBRA MESSING, CANDICE BERGEN, CLORIS LEACHMAN, BETTE MIDLER, CARRIE FISHER.
Em 1939 o famoso George Cukor, conhecido como o cineasta das mulheres, decidiu levar ao grande écran a famosa peça de Claire Booth Luce, “The Women”, que na época fez furor na Broadway, com um elenco inteiramente feminino, mas onde os homens estavam bem presentes, através das conversas tidas pelas respectivas Ladys. E quem viu o filme recorda-se bem dos fabulosos diálogos travados entre elas, de uma sofisticação maravilhosa e onde surgiam nomes como Norma Shearer, a inocente esposa, Joan Crawford, Rossalind Russsel, Joan Fontaine e Paulette Godard, nos principais papéis.
Muitos anos volvidos a realizadora Diane English, oriunda da televisão, decidiu levar ao écran esta obra-prima de Cukor, optando também ela por um elenco exclusivamente feminino, onde Meg Ryan (a antiga namorada de Hollywood) ocupa o lugar de Norma Shearer e onde se destaca Annette Bening a interpretar a personagem Sylvia Fowler, editora de uma importante revista feminina, mas a escolha de Eva Mendes para ocupar o lugar de Joan Crawford redunda num enorme fiasco, basta comparar a sua interpretação com a de Joan Crawford e fica tudo dito, o encontro entre a esposa fiel e a amante demonstram bem isso mesmo.Por outro lado o filme de Diane English não possui a sofisticação outrora conseguida por Cukor, já que ao ser transposta a peça para os dias de hoje, faltou um argumento à altura, embora ao longo da película haja excelentes réplicas e diálogos, especialmente quando temos frente a frente Meg Ryan e Annette Bening, esta última a não deixar os seus créditos por mãos alheias, revelando-se a principal estrela do filme.
Já a veterana Cloris Leachman compõe uma personagem fascinante, nessa governanta que não se quer comprometer perante a vida conturbada da sua patroa, desejando apenas preservar o seu emprego.
Esta nova versão de “Mulheres” surge assim no firmamento cinematográfico um pouco à boleia de séries como “O Sexo e a Cidade” / “Sex and the City”, que obtiveram no mundo inteiro uma legião de fans verdadeiramente espantosa, como todos sabemos. Mas a forma como ela nos vai contando a história do adultério, descoberto por mero acaso e os respectivos mexericos peca, muitas vezes, por falta de continuidade, surgindo um pouco como uma manta de retalhos.Foi pena os produtores não terem apostado num elenco onde fosse possível encontrar esses nomes femininos incontornáveis da sétima arte americana, a oferecerem-nos a sua genialidade interpretativa. Este projecto nas mãos de um Robert Altman seria, na verdade, uma obra perfeitamente delirante e sofisticada, mas infelizmente ele já não se encontra entre nós.
”The Women” surge assim como mais uma comédia agradável, que nos oferece um retrato feminino dessa metrópole chamada Nova Iorque, onde tudo vale para se vencer na vida.
Rui Luís Lima (**)
Paula Nunes Lima (***)
Domingo, Novembro 01, 2009
“MATAR OU NÃO MATAR” / “IN A LONELY PLACE”
NICHOLAS RAY - (EUA 1950) – (P/B – 94 min)
HUMPHREY BOGART, GLORIA GRAHAME, FRANK LOVEJOY, CARL BENTON REID.
A nossa memória do cinema muitas vezes encontra-se ligada a imagens descobertas no pequeno écran e dizemos isso porque foi precisamente o sucedido há mais de vinte anos com “In a Lonely Place” / “Matar ou Não Matar” de Nicholas Ray, descoberto numa tarde de Verão. Nessa época Nick já era muito mais do que o cineasta de “Fúria de Viver” ou de “Johnny Guitar”.
Incrédulo e cínico, perante os acontecimentos (Bogart no seu melhor), Dixon acaba por ser ilibado por uma vizinha (Gloria Grahame) que o viu em casa, após a saída da rapariga.
Nasce então uma profunda paixão entre Laurel Gray (Gloria Grahame) e Dixon, que inicia o seu trabalho no argumento refazendo a história original, ao mesmo tempo que o seu comportamento violento desaparece, vivendo apenas para o seu trabalho e para a mulher que ama perdidamente.
No entanto a polícia continua a suspeitar dele e o cerco que lhe monta irá fazer renascer o seu lado violento, desconfiado e ciumento, perturbando de forma decisiva o amor da sua vida.
Nicholas Ray consegue, nesta película, oferecer-nos um dos filmes mais perfeitos do género, mas todo o ambiente criado de uma cínica Hollywood, faz um pouco de futurologia em relação à carreira/perdição de Nick Ray. Por outro lado Gloria Grahame, que roubou o papel a Ginger Rodgers (1), oferece-nos momentos de antologia do mais profundo erotismo (2), apetecendo até dizer obrigado ao código Hays, que obrigou os cineastas a contornar a censura, como tão bem fez Hitchcock em “Notorius” / “Difamação”… a célebre questão do tempo de duração de um beijo.
“In a Lonely Place”, essa obra-prima do Cinema, poderia também chamar-se “In a Lovely Place”, graças à interpretação felina de Glória Grahame e às mudanças de personalidade de Humphrey Bogart em combate constante consigo mesmo.
E a fotografia a preto e branco jogando de forma determinante com a luminosidade, repare-se na sequência em que Dixon (Bogart) reconstitui o assassinato para o casal amigo, como se tivesse vivido o acontecimento, embora seja a sua faceta de argumentista o excitante do relato. Para já não falarmos na soberba montagem e banda sonora.
A escrita vai longa mas não podemos deixar de referir dois aspectos decididamente importantes nesta obra-prima. Nicholas Ray e Gloria Grahame (3) eram casados no início da rodagem e a meio das filmagens decidiram separar-se, tendo até Nick pedido ao Estúdio para lhe arranjar uma casa próxima do “set”, porque necessitava de trabalhar à noite, omitindo desta forma a sua situação matrimonial. E nunca Gloria Grahame foi filmada com tanto amor, ao ponto de a película ter dois finais, o inicialmente previsto em que ela morre e aquele, por fim optado, em que fica viva por fora, morta por dentro, tal como Humphrey Bogart, numa das suas mais extraordinárias interpretações.
"Matar ou Não Matar" /“In a Lonely Place” é uma das muitas pérolas cinematográficas oferecidas por Nicholas Ray à Sétima Arte, uma descoberta que recomendamos.
(1) - Ginger Rodgers nunca gostou muito dos musicais com Fred Astaire e lutou durante toda uma vida para conquistar papéis dramáticos.
(2) - A troca de cigarros no bar, junto ao piano, entre outros planos, para além do fabuloso guarda-roupa de Mrs. Grahame.
(3) – Muitos anos depois Gloria Grahame foi casada com o filho de Nick Ray.
Rui Luís Lima (*****)
NICHOLAS RAY - (EUA 1950) – (P/B – 94 min)
HUMPHREY BOGART, GLORIA GRAHAME, FRANK LOVEJOY, CARL BENTON REID.
A nossa memória do cinema muitas vezes encontra-se ligada a imagens descobertas no pequeno écran e dizemos isso porque foi precisamente o sucedido há mais de vinte anos com “In a Lonely Place” / “Matar ou Não Matar” de Nicholas Ray, descoberto numa tarde de Verão. Nessa época Nick já era muito mais do que o cineasta de “Fúria de Viver” ou de “Johnny Guitar”.Produzido pela pequena produtora de Humphrey Bogart, “Santana Productions”, esta película situa-se inevitavelmente na fronteira do “film noir”, navegando as suas personagens no mundo da sétima arte, Dixon Steele (Bogart) é um argumentista à beira do abismo, violento e angustiado com o mundo que o rodeia: realizadores, produtores, agentes, actores.
O argumento de Andrew Solt, baseado numa novela de Dorothy Hughes, apresenta-nos uma Hollywood “cheia de tubarões”, em que a última palavra vem de cima. Mas como dizíamos, Dixon Steele um homem amargurado, reticente em aceitar a feitura de um argumento de acordo com as “regras da casa”, vê-se confrontado com uma hipótese de resgatar o seu nome do limbo em que caiu, mas a obra que lhe é oferecida parece-lhe tão má, que convida uma empregada do bar em que se encontra para lhe contar a história, já que ela tinha lido o livro e assim ele não iria perder tempo com algo em que não acreditava.
A tragédia nasce então porque a rapariga, após o seu trabalho de leitura, aparece morta caindo de imediato as suspeitas sobre o violento Dixon Steele.
A tragédia nasce então porque a rapariga, após o seu trabalho de leitura, aparece morta caindo de imediato as suspeitas sobre o violento Dixon Steele.
Incrédulo e cínico, perante os acontecimentos (Bogart no seu melhor), Dixon acaba por ser ilibado por uma vizinha (Gloria Grahame) que o viu em casa, após a saída da rapariga.Nasce então uma profunda paixão entre Laurel Gray (Gloria Grahame) e Dixon, que inicia o seu trabalho no argumento refazendo a história original, ao mesmo tempo que o seu comportamento violento desaparece, vivendo apenas para o seu trabalho e para a mulher que ama perdidamente.
No entanto a polícia continua a suspeitar dele e o cerco que lhe monta irá fazer renascer o seu lado violento, desconfiado e ciumento, perturbando de forma decisiva o amor da sua vida.
Nicholas Ray consegue, nesta película, oferecer-nos um dos filmes mais perfeitos do género, mas todo o ambiente criado de uma cínica Hollywood, faz um pouco de futurologia em relação à carreira/perdição de Nick Ray. Por outro lado Gloria Grahame, que roubou o papel a Ginger Rodgers (1), oferece-nos momentos de antologia do mais profundo erotismo (2), apetecendo até dizer obrigado ao código Hays, que obrigou os cineastas a contornar a censura, como tão bem fez Hitchcock em “Notorius” / “Difamação”… a célebre questão do tempo de duração de um beijo.
“In a Lonely Place”, essa obra-prima do Cinema, poderia também chamar-se “In a Lovely Place”, graças à interpretação felina de Glória Grahame e às mudanças de personalidade de Humphrey Bogart em combate constante consigo mesmo.E a fotografia a preto e branco jogando de forma determinante com a luminosidade, repare-se na sequência em que Dixon (Bogart) reconstitui o assassinato para o casal amigo, como se tivesse vivido o acontecimento, embora seja a sua faceta de argumentista o excitante do relato. Para já não falarmos na soberba montagem e banda sonora.
A escrita vai longa mas não podemos deixar de referir dois aspectos decididamente importantes nesta obra-prima. Nicholas Ray e Gloria Grahame (3) eram casados no início da rodagem e a meio das filmagens decidiram separar-se, tendo até Nick pedido ao Estúdio para lhe arranjar uma casa próxima do “set”, porque necessitava de trabalhar à noite, omitindo desta forma a sua situação matrimonial. E nunca Gloria Grahame foi filmada com tanto amor, ao ponto de a película ter dois finais, o inicialmente previsto em que ela morre e aquele, por fim optado, em que fica viva por fora, morta por dentro, tal como Humphrey Bogart, numa das suas mais extraordinárias interpretações.
"Matar ou Não Matar" /“In a Lonely Place” é uma das muitas pérolas cinematográficas oferecidas por Nicholas Ray à Sétima Arte, uma descoberta que recomendamos.
(1) - Ginger Rodgers nunca gostou muito dos musicais com Fred Astaire e lutou durante toda uma vida para conquistar papéis dramáticos.
(2) - A troca de cigarros no bar, junto ao piano, entre outros planos, para além do fabuloso guarda-roupa de Mrs. Grahame.
(3) – Muitos anos depois Gloria Grahame foi casada com o filho de Nick Ray.
Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
“JERRY MAGUIRE”
CAMERON CROWE – (EUA – 1996) – (138 min/Cor)
TOM CRUISE, RENÉE ZELLWEGER, CUBA GOODING JR. KELLY PRESTON, BONNIE HUNT, JAY MOHR.
“Jerry Maguire” continua a ser o melhor filme até hoje realizado por Cameron Crowe, esse menino prodígio que se iniciou na escrita aos 15 anos escrevendo artigos para a “Rolling Stone”, tendo depois iniciado a escrita de diversos argumentos para cinema. Fez o seu auto-retrato de forma discreta o em “Quase Famosos” / “Almost Famous”. A sua obra de estreia foi o famoso “Singles”, um daqueles filmes retrato de uma geração que habita o mesmo prédio, com um Matt Dillon e uma Bridget Fonda em destaque, ao mesmo tempo que dava, como não podia deixar de ser, uma enorme importância à banda sonora.
Nesta comédia romântica intitulada “Jerry Maguire”, precisamente o nome do protagonista interpretado por Tom Cruise, vamos seguir a vida de um agente desportivo que um dia num quarto de hotel tem um rebate de consciência e decide escrever um “memo”, para depois o distribuir pelos colegas, aplaudido por todos pela sua atitude frontal em que se inscreve o lema de devermos dar mais atenção aos nossos clientes e menos ao dinheiro que poderemos ganhar com eles. De imediato os colegas nas suas costas prevêem que a sua carreira está por um fio.
Agente de sucesso Jerry Maguire (Tom Cruise) possui tudo aquilo que um homem deseja incluindo aquela bela e selvagem mulher Marcie (Kelly Preston), mas quando o dinheiro e a fama desaparecem será de imediato abandonado.
Despedido com um sorriso nos lábios por um colega, mandatado pela administração, durante um almoço, Jerry irá tentar levar consigo os seus clientes, mas durante essa luta com a empresa apenas arrasta consigo o jogador de baseball Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr – ganhou o Oscar para o melhor actor secundário), o menos desejado cliente, porque aquele homem só pensa em dinheiro, ficando célebre a frase “show me the money”. Numa tentativa desesperada de provocar uma cisão na empresa Jerry pergunta a todos os que leram o seu famoso “memo” quem irá com ele e apenas a empregada da contabilidade Dorothy Boyd (Renée Zellweger) decide partir com ele Mais do que o “memo” dele é a paixão que a leva a segui-lo, para além do facto de ela ser divorciada e ter um filho pequeno. Estabelecendo-se uma relação de empregada/patrão que irá ultrapassar a fronteira da relação profissional, embora Jerry lute de início para não ultrapassar essa fronteira, ao mesmo tempo que começa a ser seduzido pela criança, um rapazinho “cool”. Já por outro lado a irmã de Dorothy, uma daquelas mulheres abandonadas que promove em sua casa reuniões femininas contra o “sexo forte”, olha com a maior desconfiança Jerry, percebendo de imediato como ele se encontra à beira do abismo e quando ele estabelece por fim uma relação com Dorothy, Laurel (Bonnie Hunt) tudo fará para mostrar à irmã como ela está errada na sua opção.
Entramos assim na comédia romântica dirigida de forma brilhante por Cameron Crowe, recorde-se que ele levou cinco anos a preparar o filme e desde os minutos iniciais que somos agarrados à cadeira, pela forma como ele nos introduz no mundo de Jerry Maguire e depois nos conta a sua relação atribulada com a família de Rod Tidwell, sendo a mulher deste, Marcee (Regina King), um dos maiores obstáculos a transpor para levar o jogador ao bom caminho, já que ele é conhecido pelo seu mau feitio. Com apenas um cliente Jerry dedica-lhe a vida, tentando mostrar-lhe que o dinheiro não é tudo na vida, ao mesmo tempo que Dorothy tudo faz para manter Jerry debaixo do seu tecto. A pouco e pouco vamo-nos apercebendo que Jerry não consegue manter a relação, arranjando mil e um pretextos para estar longe dela, ele deseja partir, mas a criança surge como um impedimento, até esse dia em que já nada se pode fazer.
De realçar a excelente interpretação de Tom Cruise na figura do agente desportivo, muitos furos acima do habitual, ao mesmo tempo que Renée Zellweger nos surge pela primeira vez num papel digno de nota, depois todos sabemos como ele se tornou célebre, engordando para Bridget Jones e emagrecendo depois, ficando um “palito”.
“Jerry Maguire” apresenta-se no interior da produção cinematográfica como uma comédia romântica fabulosa, tendo um argumento com uma moral para oferecer e um final feliz, como mandam as regras, embora nos ofereça nas suas entrelinhas o retrato do mundo selvagem em que vivemos, um sorriso pela frente e uma faca nas costas, retrato do quotidiano nas empresas e na vida, depois nem sempre os ideais triunfam e muito menos o sucesso amoroso, porém no caso de Jerry Maguire ele aprendeu uma lição na vida, oferecida pelo irrequieto Tidwell, compreendendo como esse núcleo universal chamado família é o fruto da vida, por isso mesmo quando volta a entrar na casa de Dorothy é recebido friamente por aquele conjunto de mulheres abandonadas com o maior desprezo do mundo, porque elas são (in) felizmente independentes e superiores a ele, mas Dorothy decide afastar-se do “rebanho” e perdoar a fuga de Jerry Maguire. E aqui as maiores feministas empedernidas não irão resistir a verter aquela lágrima ou, pelo menos, desejar no seu íntimo estar nos braços daquele homem. “Jerry Maguire” é como o vinho do porto, quanto mais se bebe/vê mais se gosta dele.
Rui Luís Lima (****)
Paula Nunes Lima (****)
CAMERON CROWE – (EUA – 1996) – (138 min/Cor)
TOM CRUISE, RENÉE ZELLWEGER, CUBA GOODING JR. KELLY PRESTON, BONNIE HUNT, JAY MOHR.
“Jerry Maguire” continua a ser o melhor filme até hoje realizado por Cameron Crowe, esse menino prodígio que se iniciou na escrita aos 15 anos escrevendo artigos para a “Rolling Stone”, tendo depois iniciado a escrita de diversos argumentos para cinema. Fez o seu auto-retrato de forma discreta o em “Quase Famosos” / “Almost Famous”. A sua obra de estreia foi o famoso “Singles”, um daqueles filmes retrato de uma geração que habita o mesmo prédio, com um Matt Dillon e uma Bridget Fonda em destaque, ao mesmo tempo que dava, como não podia deixar de ser, uma enorme importância à banda sonora.Nesta comédia romântica intitulada “Jerry Maguire”, precisamente o nome do protagonista interpretado por Tom Cruise, vamos seguir a vida de um agente desportivo que um dia num quarto de hotel tem um rebate de consciência e decide escrever um “memo”, para depois o distribuir pelos colegas, aplaudido por todos pela sua atitude frontal em que se inscreve o lema de devermos dar mais atenção aos nossos clientes e menos ao dinheiro que poderemos ganhar com eles. De imediato os colegas nas suas costas prevêem que a sua carreira está por um fio.
Agente de sucesso Jerry Maguire (Tom Cruise) possui tudo aquilo que um homem deseja incluindo aquela bela e selvagem mulher Marcie (Kelly Preston), mas quando o dinheiro e a fama desaparecem será de imediato abandonado.
Despedido com um sorriso nos lábios por um colega, mandatado pela administração, durante um almoço, Jerry irá tentar levar consigo os seus clientes, mas durante essa luta com a empresa apenas arrasta consigo o jogador de baseball Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr – ganhou o Oscar para o melhor actor secundário), o menos desejado cliente, porque aquele homem só pensa em dinheiro, ficando célebre a frase “show me the money”. Numa tentativa desesperada de provocar uma cisão na empresa Jerry pergunta a todos os que leram o seu famoso “memo” quem irá com ele e apenas a empregada da contabilidade Dorothy Boyd (Renée Zellweger) decide partir com ele Mais do que o “memo” dele é a paixão que a leva a segui-lo, para além do facto de ela ser divorciada e ter um filho pequeno. Estabelecendo-se uma relação de empregada/patrão que irá ultrapassar a fronteira da relação profissional, embora Jerry lute de início para não ultrapassar essa fronteira, ao mesmo tempo que começa a ser seduzido pela criança, um rapazinho “cool”. Já por outro lado a irmã de Dorothy, uma daquelas mulheres abandonadas que promove em sua casa reuniões femininas contra o “sexo forte”, olha com a maior desconfiança Jerry, percebendo de imediato como ele se encontra à beira do abismo e quando ele estabelece por fim uma relação com Dorothy, Laurel (Bonnie Hunt) tudo fará para mostrar à irmã como ela está errada na sua opção.
Entramos assim na comédia romântica dirigida de forma brilhante por Cameron Crowe, recorde-se que ele levou cinco anos a preparar o filme e desde os minutos iniciais que somos agarrados à cadeira, pela forma como ele nos introduz no mundo de Jerry Maguire e depois nos conta a sua relação atribulada com a família de Rod Tidwell, sendo a mulher deste, Marcee (Regina King), um dos maiores obstáculos a transpor para levar o jogador ao bom caminho, já que ele é conhecido pelo seu mau feitio. Com apenas um cliente Jerry dedica-lhe a vida, tentando mostrar-lhe que o dinheiro não é tudo na vida, ao mesmo tempo que Dorothy tudo faz para manter Jerry debaixo do seu tecto. A pouco e pouco vamo-nos apercebendo que Jerry não consegue manter a relação, arranjando mil e um pretextos para estar longe dela, ele deseja partir, mas a criança surge como um impedimento, até esse dia em que já nada se pode fazer.De realçar a excelente interpretação de Tom Cruise na figura do agente desportivo, muitos furos acima do habitual, ao mesmo tempo que Renée Zellweger nos surge pela primeira vez num papel digno de nota, depois todos sabemos como ele se tornou célebre, engordando para Bridget Jones e emagrecendo depois, ficando um “palito”.
“Jerry Maguire” apresenta-se no interior da produção cinematográfica como uma comédia romântica fabulosa, tendo um argumento com uma moral para oferecer e um final feliz, como mandam as regras, embora nos ofereça nas suas entrelinhas o retrato do mundo selvagem em que vivemos, um sorriso pela frente e uma faca nas costas, retrato do quotidiano nas empresas e na vida, depois nem sempre os ideais triunfam e muito menos o sucesso amoroso, porém no caso de Jerry Maguire ele aprendeu uma lição na vida, oferecida pelo irrequieto Tidwell, compreendendo como esse núcleo universal chamado família é o fruto da vida, por isso mesmo quando volta a entrar na casa de Dorothy é recebido friamente por aquele conjunto de mulheres abandonadas com o maior desprezo do mundo, porque elas são (in) felizmente independentes e superiores a ele, mas Dorothy decide afastar-se do “rebanho” e perdoar a fuga de Jerry Maguire. E aqui as maiores feministas empedernidas não irão resistir a verter aquela lágrima ou, pelo menos, desejar no seu íntimo estar nos braços daquele homem. “Jerry Maguire” é como o vinho do porto, quanto mais se bebe/vê mais se gosta dele.Rui Luís Lima (****)
Paula Nunes Lima (****)
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