Domingo, Maio 10, 2009


FOTOGRAMAS – CINEMA

A PAIXÃO DE JOANA D’ARC / LA PASSION DE JEANNE D'ARC

CARL DREYER – (FRA – 1928) - (110 min/Mudo)

FALCONETTI, EUGÉNE SILVAIN, ANDRÉ BERLEY, MAURICE SCHULTZ.


A história de Joana D’Arc já foi por diversas vezes retratada no cinema, ao longo dos anos, mas será sempre a visão que nos ofereceu o dinamarquês Carl Theodor Dreyer que fica para sempre registada como a obra-prima absoluta.
O cinema de Dreyer, na época, era já conhecido de todos, mas para o enorme esplendor da película contribuiu decididamente o rosto mais que expressivo de Falconetti, actriz oriunda da Comédie-Française (este seria o seu único filme), que aceitou rapar o cabelo e oferecer todo o seu talento ao protagonizar esta filha do povo, que um dia se viu traída pelos seus pares, ficando prisioneira dos ocupantes ingleses, que a irão julgar e torturar, para depois a condenarem a morrer na fogueira.
A forma como Dreyer nos oferece o rosto martirizado de Falconetti, com aquele olhar que ficou na história do cinema e que faz arrepiar o mais comum dos mortais, fala por si. Aliás Jean-Luc Godard faz a sua homenagem ao filme quando, em “Vivre sa Vie”, Anna Karina vai ao cinema ver a película de Dreyer e descobrimos o campo-contracampo dos rostos de Karina e Falconetti, num dos momentos mais sublimes da História do Cinema.
O cineasta dinamarquês usa o grande plano com uma força expressiva até então nunca vista e sentimos o próprio medo a invadir-nos o corpo, quando deparamos com o rosto dos carrascos sem alma que interrogam a prisioneira.
Na verdade, ao (re)vermos “La Passion de Jeanne D’Arc”, sentimos o respirar da própria alma e, à medida que se aproxima o fim da jovem heroína, as lágrimas que lhe correm pelo rosto dizem mais que todas as palavras possíveis.
Carl Dreyer, a propósito deste filme, afirmou que o pretendido era mostrar que os heróis da História são também profundamente humanos. A “Paixão de Joana D’Arc” de Carl Dreyer oferece-nos um verdadeiro rio de sentimentos, nesse rosto angélico e torturado dessa espantosa actriz chamada Marie Falconetti.

Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)

3 comentários:

Violeta disse...

sempre me fascinou esta heroina, desde criança.
Ainda bem que recomeçaram a escrever...

bom domingo

Anónimo disse...

Rivette, Fleming foram alguns que abordaram a história desta heroína francesa, mas o filme de Dreyer permanece o maior.
Alvaro Seve

Rui Luís Lima disse...

Filme descoberto na Cinemateca, aquando do ciclo Carl Dreyer nos anos oitenta. Vi o filme sentado no chão, tal como outras pessoas, a sessão estava mais que esgotada e foi graças a Manoel de Oliveira que podemos ver a película. O cineasta viu o filme em pé.
PS - A história atribulada desta sessão está narrada em "O Tempo Redescoberto.
Mais uma vez obrigado Manoel de Oliveira.
Rui Luís Lima