FOTOGRAMAS – CINEMAOBJECTIVO BURMA / OBJECTIVE BURMA
RAOUL WALSH – (EUA – 1945) - (142 min - P/B)
ERROL FLYNN, WILLIAM PRICE, JAMES BROWN, GEORGE TOBIAS.
“Objectivo Burma” é, acima de tudo, um filme de e sobre a guerra no Pacífico onde os americanos perderam mais vidas, no confronto com as tropas japonesas que, como todos sabemos, venderam cara a derrota e aqui iremos encontrar o Major Nelson (Errol Flynn) a dar conhecimento aos seus homens do objectivo da missão: destruir uma estação de radar, para assim possibilitar o avanço das tropas americanas na selva birmanesa.De imediato percebemos que aqueles homens poderão ser para queimar, numa missão que as altas hierarquias militares desejam que seja perfeita. Mas como todos sabemos, nem sempre os desejos se transformam em realidade e nunca há missões perfeitas no teatro de guerra.
A forma como Walsh filma a acção de sabotagem no acampamento japonês é de antologia, porque quase poderíamos estar a assistir a um documentário. Este cineasta que iniciou a sua carreira atrás da câmara, ainda no período mudo, ao dirigir Douglas Fairbanks em “O Ladrão de Bagdad”, fora anteriormente assistente de Griffith e Tomas Ince, tendo abordado ao longo da sua carreira os mais diversos géneros, utilizando sempre a matéria filmica com uma eficácia bem demonstrativa do seu talento.
Porém se o objectivo da missão é um êxito, já a caça que lhes é dada pelas tropas japonesas será mortífera para aqueles soldados, especialmente quando, chegados ao local combinado para serem resgatados da selva inóspita, percebem que estão por sua própria conta e risco, restando-lhes apenas continuar a lutar pela sobrevivência, com esse meio que transforma os homens comuns em heróis.E quando tudo parece perdido surge o auxílio vindo do céu, quando as tropas pára-quedistas iniciam finalmente aquela que será conhecida como a grande ofensiva no Pacífico.
Ao vermos a interpretação de Errol Flynn percebemos as razões de ele ter sido uma estrela na sua época, fosse ele o pirata, o cow-boy ou o soldado, porque ao longo da sua carreira sempre ofereceu às personagens que interpretou toda a sua sabedoria de actor. E o que fica na história do cinema não são as histórias da vida privada, mas sim os filmes que protagonizou.
Quanto a Raoul Walsh, este cineasta que nunca deixou os seus créditos por mãos alheias e surge aqui como o verdadeiro comandante de uma equipa que construiu um dos mais memoráveis filmes de guerra, em que a fotografia de James Wong Howe nos oferece, de forma perfeita, o sangue, suor e lágrimas de todos aqueles que combateram na mortífera e longa batalha do Pacífico.
Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)
4 comentários:
Lembro-me de ter visto este filme!Acho que agora aos sábados a Tv2 anda a passar clássicos norte-americanos.A semana passada pelo menos passaram dois filmes com o Sinatra.
E ontem vi o Syriana,que ainda não tinha visto...Afinal não é assim tão complicado de percber como o pintaram na altura.No comboio ouvi um grup a discutir Aquele querido mês de Agosto,diziam cobras e lagartos,não faço ideia do que se trate!Ando mesmo a leste!Acho que é um filme nacional que ganhou prémios,eles achavam que o filme não merecia nenhum...:)Opiniões,há pra todos os gostos!
Bom fim de semana!
Ah!Eu não vi a interpretação da Patricia Kaas,só vi parte do Festival.
Eu,quando era miúda,adorava o Errol Flynn.Vi todos os filmes dele!Hoje já não gosto tanto!;)
Errol Flynn foi uma verdadeira estrela nessa época dourada do cinema clássico.
Alvaro Seve
Filme visto pela primeira vez na tv e mais tarde redescoberto na Cinemateca.
Rui Luís Lima
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