Quarta-feira, Maio 06, 2009


FOTOGRAMAS – CINEMA

O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO / THE BIRTH OF A NATION
DAVID WARK GRIFFITH – (EUA – 1915) - (170 min/Mudo)

HENRY B. WALTHALL, MIRIAM COOPER, MAE MARSH, LILIAN GISH.

A linguagem cinematográfica, como todos sabemos, foi criada por D. W. Griffith e foi com “O Nascimento de Uma Nação” que o cinema deu um passo de gigante, não só devido à sua longa duração, como também aos meios envolvidos na sua feitura. O cineasta dirigiu verdadeiras multidões neste relato passado em 1860, numa época em que se desenrola a guerra civil americana, nunca escondendo a sua costela sulista, ao mesmo tempo que faz o elogio do Ku Klux Klan como salvadores da Pátria, como vemos no filme quando eles salvam a família do cerco que lhes foi feito pelos negros. Por este motivo o filme foi classificado por muitos como racista, originando na época verdadeiros motins nas sessões, tendo até sido proibida a sua exibição em alguns Estados, mas se olharmos para a genialidade da construção filmica do cineasta, somos obrigados a considerar que estamos perante uma das grandes obras-primas do cinema.
David Wark Griffith sempre se defendeu das acusações que lhe foram feitas, dizendo que apenas se baseava em factos e para o provar irá realizar anos mais tarde uma obra ainda maior sobre a intolerância ao longo da História. A película em questão irá chamar-se precisamente “Intolerance” e ao contrário de “The Birth of The Nation” não irá ter o sucesso deste, levando Griffith à ruína e ao esquecimento dos seus pares, terminando os seus dias a viver num quarto de hotel em Hollywood. Ele que foi um dos fundadores da United Artists, no dia do seu funeral não teve nenhum dos nomes famosos do cinema a quem ofereceu o seu génio, a acompanharem-no até à última morada. Raoul Walsh, que dirigiu uma das equipas de filmagem em “Nascimento de Uma Nação ao mesmo tempo que vestia no filme a pele no do assassino do Presidente Lincoln, referiu-se nestes termos à importância do filme: “Foi preciso “Nascimento de Uma Nação” para convencer o mundo de que Hollywood atingira a maturidade. Esta longa-metragem representa um ponto de viragem na história do cinema”.

Rui Luís Lima (*****)
Paula Nunes Lima (****)

1 comentários:

Anónimo disse...

A acusação de racismo que paira sobre este filme, já fez correr rios de tinta, mas isso não impede que ele seja uma das obras mais importantes do cinema.
Alvaro Seve