Sexta-feira, Abril 17, 2009

FOTOGRAMAS – LEITURAS

PARIS É UMA FESTA

ERNEST HEMINGWAY

Ernest Hemingway é um dos maiores escritores da sua geração, essa mesma geração que viveu duas grandes guerras e lutou pelos seus ideias. “Paris é Uma Festa” / "A Moveable Feast" decorre em Paris (1921 – 1926), numa época em que sentado nos bistrot, Hemingway escrevia as suas crónicas e contos em busca da fama, esses tempos eram sem dúvida alguma tempos bastante difíceis, em que a fome por diversas vezes lhe batia à porta do seu quarto, chegando até a subir ao telhado para apanhar pombos, que depois lhe iriam servir de refeição.
Paris nesses anos era ponto de encontro ou exílio, se preferirem de toda uma geração de americanos e isso está bem patente neste livro. Nele conhecemos pessoas a viver no limiar da pobreza, assim como a riqueza de alguns salões. O seu encontro com essa padroeira das artes e escritora chamada Gertrude Stein é um dos momentos mais belos do livro, assim como o seu convívio com esse outro nome grande das letras chamado Francis Scott Fitzgerald, uma amizade que possuía elementos comuns.
Estas memórias, desse tempo passado em Paris, foram escritas por Hemingway, numa época em que o seu sucesso era por demais evidente e o facto de ter optado por esse género tão do agrado da literatura americana, intitulado short-stories, fala por si.
A feitura de “Paris é Uma Festa” iniciou-se em Cuba nesse ano já longínquo de 1957 e o escritor trabalhou nele durante três anos, largando a sua feitura por diversas vezes para se dedicar a outros projectos, como por exemplo essa outra obra intitulada “Um Verão Perigoso”, cuja acção decorre em Espanha.
Ler este “Paris é Uma Festa” é descobrir uma cidade maravilhosa, pelo olhar fascinado de um dos maiores escritores da literatura norte-americana. Curiosamente este período de Hemingway em Paris, foi também retratado no filme de Alan Rudolph, “Os Modernos”, onde descobrimos o escritor a escrever pelos cafés as suas crónicas e contos num pequeno bloco, com o seu lápis. Cafés que foram também a sua casa ou essa oficina perfeita de tantos escritores, cujas personagens nasciam ali mesmo, na mesa ao lado, com uma nova vida. Vale a pena ler este maravilhoso livro de Ernest Hemingway e descobrir esse período da sua vida, em que o seu génio dava os primeiros passos. Numa carta escrita a um amigo em 1950, Ernest Hemingway referia-se à cidade das luzes nestes termos: "Se, na sua juventude, você teve a sorte de viver na cidade de Paris, ela o acompanhará sempre até ao final da sua vida, vá você para onde for, porque Paris é uma festa móvel.".

Rui Luís Lima

2 comentários:

José Quintela Soares disse...

Caros amigos

Hemingway é um dos meus escritores preferidos, mas não li este.
Lerei.
Nunca esqueço a mesa de café, em Havana, onde EH escrevia, bebia, conversava, passava os dias.
Inesquecível.

Abraço.

Anónimo disse...

A genialidade de Hemingway é indescutível.
ALvaro Seve