Segunda-feira, Julho 14, 2008

A RAPARIGA CORTADA EM DOIS / FILLE COUPÉE EN DEUX

CLAUDE CHABROL – (FRA-2007) – (115 min/Cor)

LUDIVINE SAGNIER, BENOIT MAGIMEL, FRANÇOIS BERLÉAND, MATHILDA MAY, VALERIA CAVALLI, THOMAS CHABROL.


Com uma certa regularidade os filmes de Claude Chabrol vão chegando ao grande écran no nosso país e, mais uma vez, esse grande cineasta francês, um autor por excelência, continua a oferecer-nos o seu olhar sobre a sociedade francesa, utilizando a sua câmara como um verdadeiro bisturi.

Em “Fille coupée en deux” / “A Rapariga cortada em dois” vamos conhecer a história de uma jovem apresentadora de televisão (faz o boletim meteorológico), cuja vida se irá cruzar com um célebre escritor de meia-idade, recluso na sua casa da província, alérgico aos média e ao sucesso. Charles Saint-Denis (François Berléand) leva, aparentemente, uma vida pacata na sua mansão moderna na companhia da sua mulher (Valeria Cavalli), mas esse casamento não passa de uma simples fachada, bem conhecida da sua amiga e editora Capucine (Mathilda May). E será na apresentação do seu último romance, na livraria dessa pequena cidade, que ele se irá cruzar por mero acaso com a jovem Gabrielle que, de imediato, o fascina.
Gabrielle (Ludivine Sagnier), filha da livreira, não possui grande ternura pela literatura mas a figura do escritor desperta-lhe interesse, ao mesmo tempo que o jovem milionário Paul Gaudens (Benoit Magimel), ao cruzar-se com ela nesse evento, decide tentar a sua sorte junto da jovem apresentadora.

Iremos assim entrar num duelo entre dois homens que se odeiam e que desejam ardentemente uma jovem mulher que inicialmente se inclina para figura do escritor, com idade para ser pai dela, mas que a fascina e a convida a conhecer esse mundo de prazer onde ele gosta de navegar, em que tudo é permitido. Lentamente Gabrielle entra no território do proíbido, aceitando todos os desejos de Charles Saint-Denis, mas quando ela lhe pede para ele deixar a mulher tudo se complica, decidindo ela então aceitar o namoro incessante que Paul Gaudens lhe faz, afastando-se do escritor. Mas o jovem Paul conhece demasiado bem o mundo perverso de Saint-Denis e mais forte que o amor que ele possui por Gabrielle é o ódio que devota ao seu rival. E será esse mesmo ódio que irá decidir o destino de todos, após o seu casamento com Gabrielle, já que o ciúme lhe começa a devorar a alma.

Claude Chabrol, com os seus 77 anos, oferece-nos mais uma vez, o seu olhar profundo sobre a província francesa e as suas personagens, em que ninguém é inocente, fazendo um retrato trágico e mordaz de uma certa intelectualidade, ao mesmo tempo que olha sem piedade os habitantes da caixa que mudou o mundo.
Ludivine Sagnier, uma das grandes revelações do cinema francês descoberta por François Ozon, encontra-se neste filme como peixe na água e Benoit Magimel, que tínhamos visto em “A Pianista”, oferece-nos uma interpretação excelente, como se fosse um "dandy" saído da pena de Oscar Wilde, sendo um nome a seguir. Já François Berléand, na figura do escritor Saint-Denis, surge aqui com uma contenção espantosa, mergulhando de corpo e alma na personagem que interpreta.
Quanto a Claude Chabrol, que também assina o argumento, oferece-nos mais um filme que merece uma visão atenta, onde a sabedoria do cineasta respira por todos os poros. O seu olhar sobre a sociedade francesa é de um brilhantismo absoluto, mas também incómodo para muitos.

Rui Luís Lima (****)
Paula Nunes Lima (****)

6 comentários:

Pedrita disse...

eu adoro chabrole esse eu não vi. anotado. no brasil acho que ficou como Uma Garota Dividida em Dois. esses filmes se chegam no brasil trazem um a dois anos de atraso. beijos, pedrita

José Quintela Soares disse...

Caros Amigos

O fascínio de Chabrol é exactamente mostrar um "lado" e fazer-nos pensar em todos os que o complementam. E nisso é genial.

Abraço cinéfilo.

Anónimo disse...

Excelente filme. Mais um tratado sobre os franceses!
Não admira que o Chabrol não seja apreciado por alguns meios, tão perfeito é o retrato que faz!!
João de Cantanhede

sofialisboa disse...

não sei se vou ver, já sabes disso, mas a historia, quase banal de um triangulo amoroso merece 4 estrelas, nem que seja para acordar quem a vê. bjs meus sofia
PS: tira as letras do comentário se a moderação está activada não há necessidade, não concordas?

Anónimo disse...

Chabrol continua a sua caminhada pela história do cinema, mantendo-se fiel ao caminho traçado com o seu primeiro filme. A Rapariga Cortada em Dois surge como mais um capítulo da sua excelente filmografia. Esperemos que um dia o seu livro sobre o cinema de Hitchcock tenha edição nacional.
Alvaro Seve

Pedrita disse...

estreou esse filme essa sexta feira aqui. mas não sei se vou conseguir ver, infelizmente. beijos, pedrita